| Crime, preconceito e hipocrisia
Muito se tem estudado e escrito sobre o crime. Contudo, uma
coisa é certa, exceto o furto por “estado de necessidade”,
ele trás em si, uma proposta: em síntese o enriquecimento
rápido e relativamente fácil. Portanto, é incorreto
afirmar-se que a delinqüência está mais próxima
da pobreza, é até preconceito uma vez que, abastados
e ricos também cometem delitos. Esta tese é tão
absurda que segundo a sua lógica os Estados mais violentos
deveriam ser os mais pobres, notadamente o nordeste e o norte
do Brasil e do ponto de vista mundial os países ricos
seriam quase imunes ao crime e a violência, enquanto a
barbárie imperaria na África, por exemplo.
A polícia como instrumento de coerção do Estado, deve
zelar pelo cumprimento da Lei e seus excessos, também constituem crime,
inclusive a classe dominante usa e abusa do poder de polícia contra
os trabalhadores e estudantes.
Precisamos compreender que a escalada da violência nos últimos
anos tem muito a ver com o narcotráfico e a alta lucratividade desse
negócio escuso, que alicia e corrompe diversos segmentos da sociedade
e do próprio Estado. E não podemos deixar de afirmar que tal
rendimento provém do alto consumo.
Outra coisa que devemos desmistificar, é que as desigualdades sociais
e a pobreza não são desculpas para o crime, uma vez que o enfrentamento
aos problemas sociais deve-se dar através da ação política
consciente e conseqüente e não através da marginalidade.
Precisamos é apresentar principalmente para os jovens, perspectivas
de inclusão social (o que não significa necessariamente enriquecimento
e consumismo), fé nos ideais humanistas e esperança na vida.
Recentemente, assistimos a polícia do Rio de Janeiro enfrentando a fúria
de narcotraficantes e em uma das cenas, um helicóptero da PM atirando
na direção de dois homens armados. Diversos grupos ligados à defesa
dos direitos humanos manifestaram-se contrários à ação
policial qualificando-a de excessiva. Pois bem, na semana passada, um policial
foi alvejado por um bandido em pleno helicóptero, vindo a falecer logo
depois, não tive nenhum conhecimento de alguma declaração
de defensores dos direitos humanos sequer em solidariedade à família
do policial assassinado. Será que por fazer parte da força de
repressão do Estado o policial também não é filho,
marido e pai?
Será que devemos encarar a morte de um bandido, de um celerado como
um ato de violência e a morte de um policial como algo natural?
Busquemos a coerência!
Jorge Barbosa de Jesus
Bacharel em Direito
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